Ícone do site Consultoria Modele – Gente e Gestão

Vida dinâmica exige pessoas que aprendam continuamente e saibam comunicar seu valor

Se você tem mais de 40 anos, provavelmente vai se identificar com este meu depoimento.

Quando iniciei minha trajetória na área de Recursos Humanos, em 1997, era possível trabalhar durante muitos anos praticamente da mesma forma. Os processos mudavam pouco, as tecnologias evoluíam em um ritmo relativamente lento e a experiência acumulada era suficiente para resolver boa parte dos desafios do dia a dia.

Hoje, quando olho para minha trajetória profissional, percebo que o que mais mudou não foi apenas a tecnologia. Foi principalmente a velocidade com que tudo passou a mudar. Se observarmos a história, veremos que praticamente toda grande inovação reduziu um pouco mais o intervalo entre uma transformação e outra.

O rádio aproximou as pessoas das notícias quase em tempo real. A televisão levou informação e entretenimento para dentro das casas. O telefone tornou a comunicação imediata. O computador transformou completamente a forma de produzir, armazenar e compartilhar conhecimento. Depois veio a internet, e foi justamente ela que alterou definitivamente o ritmo da sociedade.

Quando os celulares chegaram ao Brasil, na década de 1990, serviam praticamente apenas para fazer ligações. Hoje carregamos no bolso uma ferramenta que reúne telefone, câmera fotográfica, filmadora, GPS, banco, agenda, televisão, computador e acesso instantâneo a praticamente qualquer informação.

Na sequência vieram as redes sociais, os aplicativos de mensagens, as videoconferências, o trabalho remoto e, mais recentemente, a inteligência artificial, que já começou a transformar profundamente a maneira como pesquisamos, escrevemos, aprendemos e executamos inúmeras atividades profissionais.

O resultado dessa evolução é evidente. Nunca fomos expostos a tantas mudanças em tão pouco tempo. Mudou o comportamento das pessoas, a forma de consumir, a maneira de trabalhar, as empresas, as profissões e, muito provavelmente, continuaremos vivendo ciclos de transformação cada vez mais rápidos.

Durante muito tempo bastava aprender uma forma de trabalhar e aperfeiçoá-la ao longo da carreira. Hoje essa lógica já não acompanha a velocidade do mercado. O profissional precisa aprender continuamente porque o próprio contexto continua mudando.

Talvez a inteligência artificial seja hoje o exemplo mais evidente dessa transformação.

Poucas vezes uma tecnologia despertou tantas expectativas, dúvidas e discussões em um espaço de tempo tão curto. Em poucos meses, profissionais de praticamente todas as áreas passaram a utilizar ferramentas capazes de escrever textos, elaborar apresentações, analisar documentos, produzir imagens, programar sistemas, resumir informações e automatizar tarefas que antes consumiam horas de trabalho.

Naturalmente surge uma pergunta: a inteligência artificial vai substituir profissionais?

Na minha percepção, essa não é a questão mais relevante.

Ao longo da história, praticamente todas as grandes revoluções tecnológicas transformaram profundamente a sociedade. A tecnologia nunca altera apenas a forma de executar tarefas; ela modifica comportamentos, influencia decisões, cria novas oportunidades e transforma a maneira como vivemos.

O que considero mais interessante neste momento é que, durante décadas, acreditávamos que os profissionais mais jovens sempre seriam os maiores beneficiados pelas mudanças tecnológicas. Isso fazia sentido, porque normalmente aprendiam as novas ferramentas com maior facilidade e carregavam menos hábitos consolidados.

Com a inteligência artificial talvez estejamos vivendo um cenário um pouco diferente.

A IA não produz conhecimento sozinha. Ela depende da qualidade das perguntas que recebe. Quanto melhor o contexto, mais consistente tende a ser a resposta. Isso faz com que experiência, repertório, visão estratégica, conhecimento do negócio e capacidade de análise passem a ter um peso ainda maior.

Ao mesmo tempo, observo outro movimento que merece atenção. Depois da pandemia, muitas empresas consolidaram o trabalho remoto. Essa mudança trouxe inúmeros benefícios, principalmente em relação à qualidade de vida, mas também reduziu algo extremamente importante para quem está iniciando a carreira: o aprendizado por observação.

Grande parte da minha formação profissional não aconteceu em cursos. Ela aconteceu observando pessoas mais experientes trabalhando ao meu lado, participando de reuniões, ouvindo conversas, percebendo como conduziam conflitos, negociavam, tomavam decisões e se comunicavam. Esse aprendizado informal sempre existiu dentro das organizações.

Hoje muitos profissionais iniciam suas carreiras sem essa convivência diária. Isso não significa que aprenderão menos, mas certamente precisarão assumir um papel muito mais ativo na própria aprendizagem. Nesse contexto, duas competências tornam-se cada vez mais importantes: visão crítica e comunicação.

A inteligência artificial entrega velocidade, produtividade e inúmeras possibilidades. Entretanto, continua dependendo da capacidade humana de formular boas perguntas, interpretar respostas, validar informações, compreender contexto e transformar tudo isso em decisões inteligentes. Quem desenvolve essas competências deixa de apenas acompanhar as mudanças e passa a crescer junto com elas.

Na Consultoria Modele observamos isso diariamente. Muitos profissionais utilizam inteligência artificial para elaborar currículos e perfis no LinkedIn, o que considero absolutamente válido. A preocupação surge quando o texto é copiado exatamente como foi entregue, sem qualquer análise, adaptação ou validação. O resultado costuma ser um currículo que não representa verdadeiramente a trajetória daquele profissional.

Durante a entrevista isso rapidamente fica evidente. O currículo transmite uma determinada imagem, enquanto a comunicação do candidato revela outra completamente diferente.

Também observo outro aspecto interessante. Profissionais que conseguem explicar sua trajetória com clareza, demonstrar resultados, justificar decisões e evidenciar o impacto do próprio trabalho, raramente encontram dificuldades para demonstrar seu valor ao mercado.

Nos atendimentos realizados pela equipe da Modele é muito comum encontrarmos profissionais que acreditam que a principal barreira para conquistar uma boa oportunidade está na falta de um novo idioma, de uma graduação ou de alguma certificação. Entretanto, durante as simulações de entrevista percebemos que, na maioria das vezes, o maior desafio está justamente na forma como comunicam aquilo que já sabem fazer.

Para demonstrar isso, costumamos fazer perguntas como:

  1. Conte-me sobre uma situação imprevista que você precisou administrar na sua função e como se saiu.
  2. Conte-me sobre uma situação em que precisou solucionar um problema mesmo com poucos recursos.
  3. Conte-me sobre a negociação mais importante que conduziu e qual foi o resultado obtido.
  4. Qual foi o maior risco que você assumiu em uma decisão tomada sozinho?
  5. Conte-me sobre um projeto que precisou ter o prazo prorrogado. O que aconteceu e como conduziu essa situação?

Perceba que nenhuma dessas perguntas procura respostas decoradas. Elas procuram compreender como o profissional pensa, decide, aprende, resolve problemas e comunica sua experiência.

Por isso deixo um convite: grave suas respostas para essas perguntas. Depois assista ao vídeo com olhar crítico e pergunte a si mesmo: minha resposta realmente demonstra minha competência? Ela evidencia meu raciocínio? Ela mostra o impacto do meu trabalho? Ou apenas descreve superficialmente aquilo que eu fazia?

Quando realizamos esse exercício na Consultoria Modele, oferecendo feedback individualizado, normalmente pequenos ajustes na comunicação já aumentam significativamente a credibilidade do profissional durante uma entrevista.

A maioria das empresas procura pessoas capazes de identificar problemas, propor soluções, aprender rapidamente e gerar resultados. Por isso, saber comunicar sua trajetória tornou-se tão importante quanto a própria experiência.

Depois de quase três décadas atuando em Recursos Humanos, talvez essa seja uma das maiores conclusões a que cheguei. Vivemos em uma época em que as mudanças acontecem em velocidade inédita. Novas tecnologias continuarão surgindo, profissões serão transformadas e outras desaparecerão. Nesse cenário, quem permanece relevante não é necessariamente quem acumula mais conhecimento técnico, mas quem desenvolve a capacidade de aprender continuamente, adaptar-se com rapidez e comunicar com clareza o valor que entrega.

A vida continuará dinâmica. O mercado continuará mudando. A pergunta é: nós continuaremos aprendendo e evoluindo na mesma velocidade?

E deixo uma última reflexão: Como está a sua comunicação hoje?

Ela é um dos seis pilares avaliados no Mapa da Empregabilidade, desenvolvido pela Consultoria Modele.

Se você deseja compreender como sua comunicação está sendo percebida pelo mercado e identificar oportunidades de desenvolvimento, convido você a realizar gratuitamente o Mapa da Empregabilidade. Nossa equipe analisa suas respostas, e dentro de 48 horas, você receberá uma análise que pode ajudá-lo a fortalecer sua apresentação profissional, aumentar sua empregabilidade e compreender como o mercado percebe sua forma de comunicar seu valor.

Porque, em um mercado que muda todos os dias, aprender continuará sendo essencial. Mas comunicar com clareza aquilo que você aprendeu continuará sendo o diferencial que abre as melhores oportunidades.

Sair da versão mobile