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A tecnologia evoluiu. A comunicação nem sempre acompanhou.

Atuo na área de Recursos Humanos desde 1997. Meu primeiro processo aprendido dentro do RH foi recrutamento e seleção. Naquela época, eu ainda não imaginava que passaria décadas observando algo fascinante: a evolução da tecnologia e a transformação da forma como as pessoas se relacionam profissionalmente.

Quando comecei, recrutar exigia paciência. Recebíamos currículos impressos, organizávamos pilhas de documentos e iniciávamos uma verdadeira operação para encontrar candidatos. Ligávamos para o telefone informado no currículo, torcendo para que a pessoa estivesse em casa. Se não atendesse, o currículo era separado para uma nova tentativa. E assim seguíamos.

De lá para cá, a internet trouxe ganhos extraordinários para a área de RH:

  • O WhatsApp tornou o contato com candidatos muito mais rápido;
  • Os portais de vagas ampliaram o alcance das oportunidades;
  • O LinkedIn aproximou profissionais e empresas;
  • As entrevistas por vídeo eliminaram barreiras geográficas.
  • Os sistemas de recrutamento automatizaram etapas que antes consumiam horas de trabalho manual.

Sob o ponto de vista operacional, nunca foi tão fácil conectar pessoas e oportunidades. Mas existe uma contradição que me chama a atenção: ao mesmo tempo em que os meios de comunicação evoluíram, muitas pessoas parecem estar desaprendendo a conversar. E isso tem impacto direto nos processos seletivos.

A comunicação é observada muito antes da entrevista propriamente dita. Observamos a interação por e-mail, WhatsApp, chatbot, redes sociais e demais canais utilizados ao longo do processo seletivo. A forma como uma mensagem é respondida transmite informações importantes, mas a ausência de resposta também comunica algo.

Da mesma forma que candidatos observam empresas, empresas também observam candidatos. E uma das situações mais frequentes atualmente é aquilo que nossa equipe passou a chamar, internamente, de “ignorado com sucesso”.

O cenário é simples, a vaga é divulgada com informações claras:

  • Salário
  • Benefícios
  • Horário de trabalho
  • Tipo de contrato
  • Responsabilidades
  • Requisitos

O candidato lê essas informações e decide se candidatar. Ou seja, houve interesse inicial. A partir daí, nossa equipe entra em contato explicando as próximas etapas. E então acontece algo cada vez mais comum: silêncio – nenhuma resposta – nenhum retorno – nenhuma justificativa. A candidatura foi realizada, mas a conversa desapareceu.

Naturalmente, todos têm o direito de mudar de ideia. Talvez o profissional tenha recebido uma proposta melhor, ou tenha decidido permanecer onde está, ou a vaga já não faça sentido. Tudo isso é absolutamente legítimo. O que não faz sentido é desaparecer sem qualquer posicionamento. Em algumas situações, o profissional reaparece dias depois apresentando justificativas pouco consistentes.

Curiosamente, uma resposta sincera e direta costuma gerar muito mais credibilidade do que uma justificativa elaborada para explicar o silêncio.

Uma simples mensagem dizendo: “Obrigado pelo contato, mas decidi não continuar no processo”, é muito mais bonito e demonstra profissionalismo, respeito e maturidade. E mais importante: evita o fechamento desnecessário de portas. Porque processos seletivos também registram experiências.

Da mesma forma que existem plataformas onde profissionais compartilham suas experiências com empresas, as empresas também constroem percepções sobre a postura dos candidatos.

Na Modele, quando um candidato não responde, buscamos um segundo contato. Se novamente não houver interação, entendemos que não existe interesse. E seguimos sem terceira tentativa, sem novas abordagens futuras, sem compartilhamento de novas oportunidades. E sem relação com punição, é só reciprocidade. Relacionamentos profissionais são construídos nos dois sentidos.

E é justamente por isso que candidatos que se posicionam costumam se destacar. Mesmo quando recusam uma oportunidade, ou quando já aceitaram outra proposta, ou quando não têm interesse na vaga… O ato de responder, interagir, agradecer… registra profissionalismo e deixa uma marca positiva. E marcas positivas abrem portas.

Existe outro ponto importante: diversos estudos sobre empregabilidade mostram que problemas de comunicação estão entre as principais causas de eliminação em processos seletivos. Não necessariamente porque o profissional não possui competência técnica. Mas porque demonstra dificuldade para transmitir informações, manter diálogos profissionais, responder solicitações ou construir relacionamentos de forma adequada.

Curiosamente, quando comecei minha carreira, tínhamos poucos canais de comunicação: telefone fixo; fax; entrevista presencial. Depois vieram os e-mails; celulares; redes sociais; aplicativos de mensagens; videochamadas. Hoje temos dezenas de possibilidades para conversar. Mas também temos um fenômeno crescente: pessoas cercadas por meios de comunicação e cada vez menos dispostas a se comunicar.

Talvez por isso o básico tenha voltado a ser diferencial:

  • Responder mensagens
  • Dar retorno
  • Agradecer
  • Posicionar-se
  • Demonstrar interesse
  • Ou comunicar desinteresse.

Tudo isso gera destaque. E gosto de explicar essa lógica com uma comparação simples: quando alguém visita sua casa, você abre a porta, cumprimenta, convida para entrar. Isso é o mínimo esperado. Depois vem aquilo que diferencia uma experiência comum de uma experiência memorável: uma boa conversa, um café, uma atenção especial.

No ambiente virtual funciona exatamente da mesma forma: primeiro você responde, depois interage, em seguida mostra quem você é, compartilha conhecimento, constrói conexões, agrega valor.

A tecnologia continuará evoluindo, novas plataformas surgirão, novos recursos aparecerão. Mas existe uma habilidade que continuará abrindo portas em qualquer geração: a capacidade de se comunicar com respeito, clareza e reciprocidade.

REFLEXÃO: Você já refletiu sobre o que tem levado você a ser a segunda opção em processos seletivos? Você ainda acredita que a justificativa é devido a algum conhecimento técnico que falta no seu currículo?

Após quase três décadas acompanhando processos seletivos, existe uma percepção que se repete com frequência e merece reflexão: em muitos casos, o profissional acredita ter sido reprovado exclusivamente por uma questão técnica. Entretanto, o que frequentemente pesa na decisão final são fatores comportamentais: comunicação, postura, interesse demonstrado, capacidade de interação e construção de relacionamento. O conhecimento técnico pode abrir portas. Mas a forma como você se relaciona costuma definir quem permanece na sala.

Antes de concluir que o mercado está difícil, vale uma reflexão honesta: quantas oportunidades deixaram de avançar por falta de conhecimento técnico e quantas deixaram de avançar pela forma como você se comunica?

A tecnologia mudou. Os processos seletivos mudaram. As ferramentas mudaram. Mas existe algo que continua sendo decisivo desde quando comecei no RH, em 1997: pessoas contratam pessoas. E pessoas continuam observando como você se comunica.

Se deseja conhecer mais a Modele através das avaliações que recebemos, acesse nossas avaliações no Google.

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